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Luiz Ribeiro destacou em sua gestão o cuidado com o bem público

Publicado: Quarta, 01 de Novembro de 2023, 17h41 | Última atualização em Quarta, 01 de Novembro de 2023, 17h43

Page 2As reportagens especiais dos 70 anos do IFSULDEMINAS - Campus Muzambinho - apresentam as histórias de alguns dos diretores que por aqui passaram. É o caso de Luiz Ribeiro Dias Filho, professor de História que ocupou, entre 1998 e 2002, o cargo máximo da Escola Agrotécnica Federal de Muzambinho. O professor Ribeiro, como era conhecido por todos da Instituição, faleceu em junho de 2022 e, por isso, a sua passagem por Muzambinho é aqui narrada por sua esposa, Isabella Ribeiro do Valle Dias.

Formado pela Universidade de São Paulo (USP), Ribeiro ingressou no serviço público no ano de 1989. Isabella, também professora, formada em Biologia pela Universidade Federal de São Carlos, conta que eles se mudaram para Muzambinho, para morar na Escola Agrotécnica em 1999, embora o professor Ribeiro já estivesse na Direção desde o ano anterior. Naquela época, alguns servidores moravam na Escola e a mudança aconteceu numa época interessante, pois os filhos do casal, Cora e Graco, estavam iniciando uma nova fase escolar. Havia uma parceria entre os servidores da Instituição que tinham filhos em idade escolar. As crianças estudavam na cidade e havia um revezamento entre os próprios professores da Escola para levá-las e buscá-las, diariamente.

Isabella relembra que o professor Ribeiro saía cedo para trabalhar e que sua rotina era praticamente no Prédio Administrativo, cuidando da escola, ou em viagens para outros campi ou para Brasília, enquanto ela cuidava da casa e das crianças. A casa, onde hoje funciona a Brinquedoteca, foi reformada para eles e ela cita a boa convivência que existia entre os vizinhos, todos funcionários da Escola. Além disso, era muito gostoso para as crianças morarem numa fazenda, com a possibilidade de fazerem compras no posto de vendas onde havia verduras fresquinhas e o iogurte que também já era comercializado.

O processo para chegar à direção da Escola, nas palavras de Isabella, “foi devagar”. Ribeiro começou como professor e depois foi o professor responsável pela Cooperativa, que já existia, mas que ele, junto com os alunos, fizeram funcionar. Isabella diz que sente que o professor Ribeiro teve um bom desempenho como professor responsável pela Cooperativa e que isso foi muito importante para a formação dele, o que culminou com um convite do professor Ivan de Freitas, então diretor da Instituição, para que Ribeiro se tornasse vice-diretor. Com o fim do mandato do professor Ivan, chegou o momento de concorrer à Direção da Escola. Havia uma eleição, na qual servidores e alunos participavam, para escolher um candidato de uma lista tríplice. Isabella explica que Ribeiro teve que batalhar um pouquinho mais durante a campanha por não ser de Muzambinho.

Dos fatos que a marcaram, ela conta que, como Diretor, o professor Ribeiro era responsável pelo bem público e tinha a preocupação de conscientizar a todos ainda mais sobre a distinção do que era privado e público. Dentro desse contexto, ela relembra um acontecimento que enfatiza essa questão. Certa vez, Isabella ganhou uma abóbora de um senhor que estava fazendo a capina de um terreno que ficava entre a sua casa e o refeitório. O trabalhador estava prestando um serviço, não era servidor, e ofereceu a ela uma das abóboras que havia colhido naquele espaço, Isabella aceitou e a colocou em sua cozinha. “O Luiz Ribeiro chegou para almoçar e perguntou onde eu tinha conseguido a abóbora. Eu falei que o senhor estava capinando, que ele perguntou se eu queria uma e que eu aceitei. Ele falou: ‘mas essa abóbora não é sua. Nós temos aqui o Posto de Vendas e, se você quiser uma abóbora, você tem que comprá-la, porque todo mundo tem direito a essa abóbora, qualquer pessoa pode vir aqui na Escola. Essa Instituição e tudo que ela possui e produz são bens de todos os brasileiros. Então você vai devolver essa abóbora e, se você quiser, você vai adquiri-la no Posto de Venda”.

Outro exemplo dessa questão ética tão importante para o professor Ribeiro foi o fato de que, embora a Escola estivesse precisando de um professor de Biologia e Isabella tivesse essa formação, Ribeiro, como Diretor, não permitia que ela atuasse como professora. Demorou um tempo para que ele concordasse com o fato dela ser substituta/contratada pela Escola, função que ocupou por apenas três meses. E mesmo dentro desse curto espaço de tempo, Isabella separava bem as coisas. Isabella se assustou um pouco quando entrou em uma sala de aula muito grande, com 40 alunos, mas o trabalho da equipe pedagógica era tão bem feito, que ela conseguia desempenhar muito bem o seu papel de docente.

Um dos projetos desenvolvidos neste período de gestão do professor Ribeiro, dos quais Isabella se lembra e acompanhou desde a preparação do terreno até a inauguração, foi a construção da Biblioteca Monteiro Lobato. Desde o seu projeto, o prédio seguiu a arquitetura das casas, e das edificações que já existiam e, por isso, foi muito valorizado.

Do ponto de vista de atendimento aos alunos, Isabella relata a preocupação e o cuidado com os alunos que chegavam para morar na escola ainda muito novinhos, saindo de casa pela primeira vez. Esse atendimento era voltado para que eles se sentissem em casa, sob a responsabilidade de professores e servidores - um cuidado com a convivência na escola e com a convivência na cidade. Eles tinham um dia livre para ir à cidade e isso era bastante preocupante, necessitava de muito cuidado. A relação do professor Ribeiro com os alunos, na percepção de Isabella, era de muita atenção, de muita escuta e de muita conversa, tanto dentro como fora da sala de aula, e essa atenção se estendia aos familiares, que eram muito bem recebidos quando visitavam seus filhos na Escola. Esse carinho ficou marcado e gerou reconhecimento, pois cada vez que encontrava egressos da Escola, mesmo depois de ter saído da Direção, o professor Ribeiro era recebido com muita alegria e atenção.

Isabella diz que, para o professor Ribeiro, a Escola representava um compromisso de formar cidadãos. Ele via a Instituição como um compromisso profissional, como professor e historiador, como um compromisso com o bem público e também na função primordial de construção e de formação de bons cidadãos. Ele manteve uma relação de muito respeito com todos, desde aquele que trabalhava na cozinha até o que ocupava um cargo maior, que também se estendia desde a circunvizinhança até Brasília. Quando Diretor, Luiz Ribeiro era diretor de todos, não pendia para nenhum lado. Era muito rigoroso com essa questão e tinha muito respeito pelo cargo que ocupava, isso era muito claro para ele e para os familiares, diz Isabella. Na perspectiva dela, ser diretor da Escola foi uma realização muito grande para o professor Luiz Ribeiro.

Um detalhe que chama a atenção na personalidade do professor Ribeiro era o gosto por cantar e declamar poesias. Nos saraus que eram promovidos na Escola, ele sempre era protagonista, conta Isabella.

17.38.27 3Ribeiro, Isabella e seus dois filhos se mudaram de Guaranésia (MG) para morar na Escola por três anos e meio, de 19 de março de 1999 a 4 de julho de 2002, e ela considera importante ter feito essa mudança, pois permitiu à família ficar mais junta e, com isso, as crianças participaram do compromisso e da responsabilidade do pai, o que foi de vital importância para a formação deles. Com o fim do mandato, a família retornou para Guaranésia, e Ribeiro permaneceu como professor até a aposentadoria, em 2010.

A mensagem que Isabella deixa para a comemoração dos 70 anos da Instituição é que a data deve ser muito bem comemorada e também relembra o ensinamento tão caro para o professor Ribeiro que, lá atrás, ressaltava a distinção entre o que é público e o que é privado e que, nesse sentido, o cuidado maior com o bem público, que deve ser dividido com todos e atender a todos indistintamente. “Devemos valorizar o Instituto que está tão crescido, que ampliou suas margens, saindo de uma Escola Agrotécnica e se tornando algo maior. Todo esse crescimento se deve ao trabalho de pessoas que passaram por aqui para que tudo isso fosse alcançado. É um privilégio muito grande ter uma Escola como essa, com a formação de tantos alunos. Devemos buscar a manutenção da Instituição e percebê-la como parte de todos”, enfatiza Isabella.

Texto: ASCOM - Campus Muzambinho
Fotos: ASCOM - Campus Muzambinho e cedidas pela senhora Isabella Ribeiro do Valle Dias

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