BRAMOTEC: Iniciativa compartilha saberes entre Brasil e Moçambique.
O IFSULDEMINAS – Campus Muzambinho recebeu, durante o mês de outubro, nove formadores de Moçambique para atividades de capacitação agrícola e intercâmbio cultural. A visita integrou a quarta edição do Programa de Fortalecimento da Educação Profissional e Tecnológica de Moçambique (BRAMOTEC), iniciativa de cooperação entre Brasil e Moçambique que reuniu, em 2026, 80 participantes e nove Institutos Federais brasileiros.
A formação foi dividida em duas etapas. A primeira ocorreu on-line, entre 14 e 18 de setembro, com aulas ministradas por professores dos Institutos Federais. Na segunda, presencial, os participantes desenvolveram atividades práticas nas instituições brasileiras, entre 29 de setembro e 29 de outubro.
No Campus Muzambinho, a acolhida aconteceu em 2 de outubro, no auditório da Medicina Veterinária, com apresentações, manifestações culturais e um café de integração. Organizada com a participação da Diretoria de Desenvolvimento Educacional, da Diretoria de Ensino e de outros setores, a programação reuniu experiências técnicas, educacionais e culturais.
Aprendizagem nos dois sentidos
Durante a permanência no campus, os formadores participaram de atividades orientadas por professores e técnicos nos setores da escola-fazenda. As práticas abriram espaço para conhecer procedimentos utilizados no Brasil e comparar experiências de ensino e trabalho agrícola nos dois países. A programação incluiu ainda uma visita ao setor de Agroecologia do Campus Inconfidentes.
O intercâmbio também chegou aos eventos acadêmicos. Na Semana de Agronomia, realizada de 5 a 8 de outubro, o professor Xavier Araújo Costa, do Instituto Agrário de Majune, na província moçambicana de Niassa, representou o grupo de visitantes durante a abertura. A participação aproximou os formadores dos estudantes e das discussões sobre a área agrícola.
Mais do que observar técnicas, os profissionais compartilharam conhecimentos construídos em suas próprias instituições. Esse contato permitiu aos servidores e estudantes brasileiros conhecer outras realidades de formação profissional e refletir sobre desafios presentes em diferentes contextos.
A cidade também fez parte da formação
Fora das salas de aula e dos setores produtivos, os visitantes conheceram espaços e manifestações culturais de Muzambinho. Em visita ao Museu da Cidade, organizada com a participação de Fernando Magalhães, reconheceram peças de artesanato africano e compartilharam informações sobre suas origens e características com a equipe responsável pelo acervo.
Outro encontro ocorreu em 23 de outubro, no Festival Afrolatino, realizado no bairro Brejo Alegre, identificado na programação como bairro quilombola. O evento reuniu os formadores, moradores e outros participantes em atividades de convivência e troca cultural. O contato com a comunidade ampliou a experiência para além do treinamento agrícola e abriu espaço para o reconhecimento de histórias e referências compartilhadas.
Línguas, culturas e identidades
Um dos momentos de destaque foi o colóquio organizado pelo Centro de Ensino de Línguas (CELIN), dedicado às relações entre língua, cultura e identidade. Estudantes e convidados moçambicanos conversaram sobre sotaques, línguas maternas, pertencimento e preconceito linguístico.
Durante o encontro, os formadores explicaram que o português não era sua língua materna e relataram experiências com línguas de suas comunidades, entre elas o changana e o emakhuwa. As falas evidenciaram a diversidade linguística de Moçambique e provocaram reflexões sobre as diferentes formas de expressão presentes também no Brasil.
Para os estudantes, a conversa ofereceu uma oportunidade de discutir como a linguagem se relaciona com a memória, a identidade e o respeito às diferenças. Para os visitantes, foi mais um espaço de apresentação de suas experiências e de diálogo com a comunidade acadêmica. Assim, uma programação inicialmente voltada à formação agrícola também se tornou ocasião para aprendizagens culturais e sociais.
Vínculos para além da visita
Após o colóquio, uma despedida reuniu agradecimentos e lembranças. Os visitantes receberam uniformes dos estudantes, entregues pela Coordenação-Geral de Assistência ao Educando (CGAE), e uma recordação preparada pelo Espaço Maker com a frase “a nossa missão é maior que nós”.
Ao longo do mês, o BRAMOTEC colocou em contato professores, técnicos, estudantes, formadores estrangeiros e moradores de Muzambinho. A experiência combinou formação profissional com encontros culturais e deixou possibilidades de continuidade para o diálogo entre as comunidades brasileiras e moçambicanas.
Texto: ASCOM (Com informações de Clélia Mara Tardeli)
Fotos: Cedidas pela Coordenadoria Geral de Extensão

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